Seu idoso usa muitos remédios? Entenda os riscos da polifarmácia

Embora muitas vezes seja necessário tratar diferentes doenças, o uso excessivo ou mal organizado de medicações aumenta o risco de efeitos colaterais, interações medicamentosas, quedas, confusão mental e hospitalizações.

É muito comum ouvir familiares dizerem: “Ele toma muitos remédios, mas cada médico passou um”. Com o passar dos anos e o acúmulo de doenças crônicas, é frequente que a pessoa passe a usar quatro, cinco, seis ou até mais medicamentos por dia. Esse cenário é chamado de polifarmácia.

De forma geral, considera-se polifarmácia o uso de cinco ou mais medicamentos contínuos. Embora muitas vezes seja necessário tratar diferentes doenças, o uso excessivo ou mal organizado de medicações aumenta o risco de efeitos colaterais, interações medicamentosas, quedas, confusão mental e hospitalizações.

O organismo envelhece. O fígado e os rins passam a metabolizar medicamentos de maneira diferente. Isso significa que um remédio que era bem tolerado aos 50 anos pode causar efeitos adversos aos 70. Além disso, a combinação de várias medicações pode potencializar efeitos indesejados.

Entre os problemas mais comuns associados à polifarmácia estão tontura, sonolência excessiva, queda de pressão, perda de apetite, alteração cognitiva e maior risco de quedas. Muitas vezes, esses sintomas são interpretados como “piora da idade”, quando na verdade podem estar relacionados a medicamentos.

Outro problema frequente é a duplicidade de tratamento. Às vezes, dois médicos prescrevem medicamentos da mesma classe sem saber que o outro já havia indicado algo semelhante. Isso aumenta risco de efeitos adversos sem trazer benefício adicional.

Também é comum que medicamentos iniciados em um momento específico nunca sejam reavaliados. Um remédio prescrito durante uma internação, por exemplo, pode continuar sendo usado por anos sem real necessidade.

Isso não significa que medicamentos devam ser suspensos indiscriminadamente. Pelo contrário. O tratamento das doenças crônicas é essencial. O ponto central é que as medicações precisam ser avaliadas de forma integrada e individualizada.

A revisão periódica das receitas é uma das funções mais importantes da geriatria. O objetivo é verificar quais medicamentos continuam sendo necessários, quais podem ter dose ajustada e quais podem ser retirados com segurança. Em muitos casos, simplificar o esquema terapêutico melhora qualidade de vida e reduz riscos.

Estudos mostram que a redução adequada de medicamentos desnecessários pode diminuir quedas, internações e confusão mental. O processo deve ser feito de forma gradual e supervisionada, nunca por conta própria.

Se seu familiar usa muitos remédios, apresenta tontura frequente, sonolência, queda recente ou piora da memória, vale a pena avaliar se os medicamentos estão contribuindo para esses sintomas.

Mais remédios não significam necessariamente mais cuidado. Cuidado de qualidade é aquele que equilibra benefício e risco, sempre considerando a funcionalidade, a fragilidade e as prioridades da pessoa.

Organizar o tratamento é uma forma de proteger autonomia.

Dra. Ana Paula Real
Médica Geriatra CRM 80284 | RQE 62713
Especialista em Cognição

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